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Origem
Influência Celta
Presumimos que a Wicca tenha surgido no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britãnia na França.
Quando os Celtas invadiram a Europa,quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca. Na Antigüidade, a Irlanda foi ocupada pelos Celtas, vindos do continente, os quais sobrepujaram os habitantes pré-históricos, estabelecendo assim, ordem na ilha e impondo a religião e a língua. Em toda a Irlanda, os monolitos, os dólmas e as pedras esculpidas testemunham a existência da antiga religião druídica, sendo que o idioma gaélico permaneceu como língua nacional. Com a rápida expansão do povo celta, a religião druídica foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celta, é importante lembrarmos que a Bruxaria é anterior a eles. Mas este povo foi o mantedor da tradição. O Panteão Celta, isto é, o conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos rituais Wicca, embora possamos trabalhar com qualquer panteão, desde que conheçamos o simbolismo correto, e não misturemos os panteões num mesmo ritual. A sociedade Celta era Matrifocal (o nome e os bens da família eram passadas de mãe para filha). Homens e mulheres tinham os mesmos direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens. Os Celtas foram um povo, cuja origem se situa na Europa Central, embora parte da mais numerosa saga de invasão indo-européia. Durante os 600 anos seguintes, os celtas chegaram a Portugal, Espanha, França, Suíça, Grã-Bretanha e Irlanda, e também tão longe como a Grécia e a Galácia. Nas sociedades célticas, as monarquias hereditárias eram matrilineares. Chefes do sexo masculino eram eleitos temporariamente. As mulheres serviam como advogadas, juízas, filósofas, médicas e poetas. Rapazes e moças estudavam juntos em academias, os professores eram usualmente mulheres. As mulheres detinham o equilíbrio de poder nos conselhos tribais e não era raro comandarem exércitos no campo de batalha. De fato, o treinamento apropriado de guerreiros do sexo masculino incluía a instrução por guerreiras famosas da época, cujas reputações heróicas tinham sido adquiridas por seu valor e por sua bravura. As mulheres celtas não eram fracas ou baixas. Descrições indicam que, fisicamente, muitas delas eram da mesma estatura e compleição dos homens. As mulheres celtas podiam herdar propriedades e títulos que lhes correspondiam, uma mulher podia celebrar contratos legais independente do marido, podiam comparecer em juízo e instaurar processos contra homens, uma mulher podia escolher o seu marido ( a maioria dos povos circunvizinhos permitia unicamente que o homem escolhesse uma esposa), as mulheres não se tornavam legalmente parte da família do marido, maridos e mulheres gozavam de status igual no casamento, os casamentos tinham duração de um ano, quando podiam ser renovados se houvesse mútuo consentimento, o divórcio requeria também a concordância de ambas as partes, as filhas herdavam em igualdade de condições com os filhos varões. Uma mulher divorciada retinha suas propriedades , mas o dote, o qual, no sistema legal Brehon, era requerido tanto do marido como da mulher ( consistia usualmente em bois, cavalos, escudos, lanças e espadas). A esposa também podia exigir de um terço à metade da riqueza do marido. O sexo não era encarado em rígidos termos moralistas, uma mulher não era "culpada" de adultério se tivesse relações sexuais extraconjugais. Mais tarde a igreja cristã combateu essas leis e muitos outros costumes célticos referentes às mulheres, sobretudo o direito ao divórcio, a herdar propriedades, portar armas e a exercer a profissão médica. No continente foram vencidos pelos Romanos, continuando contudo a manter certos traços fundamentais da sua cultura, mas nas Ilhas Britânicas a invasão romana parou na Muralha de Hadriano, mantendo os Celtas, em especial na Irlanda, toda a sua autonomia e herança cultural. É pois na Irlanda e no País de Gales que ainda hoje podemos ir em busca do pensamento e religião de nossos antepassados Celtas. Muita da informação que até hoje nos chegou vem de escritores romanos como Estrabão e César, que apesar de não serem fontes isentas nos transmitem algumas idéias acerca da sociedade céltica. Assim, ficamos a saber que os Druidas Gauleses ensinavam aos guerreiros que a morte não era mais que uma passagem, e pôr isso os celtas, apesar de excelentes metalúrgicos (dos primeiros a dominar o ferro) e portanto bem armados se aventuravam nus ou quase, para os campos de batalha, apenas com as suas pinturas azuladas e numa dança furiosa (o que os romanos chamavam de furor galicus). Na Irlanda, cria-se que, depois de morto, se ia para "Tir na nog" ( A Terra da Juventude), onde nada envelhecia e onde era sempre primavera. De fato não se encontra nos Celtas vestígios do pecado ou do mal, a não ser enquanto conduta que prejudicava o interesse de outrem. Os Deuses dos Celtas são muitos e não sofreram o processo de racionalização que sofreram os panteões Grego, Romano e Nórdico. Assim, não existe a tradicional rigidez de casais de Deuses com seus respectivos filhos. É muitas vezes difícil estabelecer ligação entre Deuses, devido a essa ligação não ser óbvia ou aparente. Em todo o caso, consegue-se aperceber as ligações existentes entre os Deuses dos Celtas Irlandeses, Gauleses e Continentais, pois apesar dos nomes divergirem, há uma série de princípios mitológicos e arquétipos psicológicos que se repetem consistentemente, sendo pôr isso possível falar numa Civilização Céltica, sem esquecer das diferenças regionais existentes. Vemos, portanto, que na Irlanda existe um relato acerca da povoação da Ilha que é a mais consistente informação escrita, e também a mais extensa, acerca da vida social dos Celtas mas também da sua visão religiosa do mundo e do Universo. Através do Lebor Gabala (o Livro das Invasões) ficamos a saber que vagas sucessivas - Fir Bolg, Filhos de Mil - acabam por guerrear com os Tuatha De Dannan (O Povo da Deusa Danu) estabelecendo os Milesianos com eles um acordo: a superfície povoam-na eles, enquanto os Tuatah De Dannan vão para o subsolo e serão adorados como Deuses. Assim acontece, e são erigidos menires e outros monumentos ao Tautha De Dannan, onde figuram Danu, A Deusa-Mãe, Nuada-O-Braço de-Prata, Dagda o-Deus-Bom, Lugh O-do-Braço-Longo e muitos outros, A concepção dos Gaélicos (Celtas Irlandeses) do Mundo é quadripartida, com as quatro direções unidas por um centro mágico. No País-de-Gales as lendas de Ceridwen e Taliesin são as mais conhecidas, pois o Caldeirão de Ceridwen da Inspiração e Ressurreição são idéias fundamentais das lendas galesas, mas as Crônicas do Rei Artur, apesar de terem sido cristianizadas, têm um fundo bem assente nas lendas e raízes dos Celtas. O Neo-Druidismo, que reapareceu durante o movimento Romântico do Século XVIII, foi durante muito tempo patriarcal e com fortes ligações à Maçonaria, ao contrário da Wicca, que conserva muito das idéias, Deuses e simbologia dos Antigos Celtas, foi uma via aceita pelo sistema, pois não era pagã - na verdade, a maior parte dos membros eram cristãos. Durante o ressurgimento neo-pagão dos anos 50, onde a Wicca foi a vanguarda, muitos grupos neo-druídicos começaram a afirmar-se como pagãos e seguidores dos Antigos Caminhos. Existem várias Ordens Druídicas, sendo a Ordem do Bardos, Ovates e Druídas (OBOD), sediada na Inglaterra, uma das mais conhecidas internacionalmente. Em resumo pudemos verificar que os celtas eram, na verdade, um conglomerado de indivíduos de origens diversas, reunidos numa civilização única, sobre um território que se estendia da atual Boêmia à Irlanda. Toda a sociedade celta era estruturada a partir de sua religião, não no sentido restrito que o termo possui para nós atualmente, mas no sentido de cosmovisão. Era uma sociedade desenvolvida e com uma literatura própria, que embora não fosse escrita, era cantada e declamada, fazendo parte dos ensinamentos dos poetas e poetisas que compunham a classe religiosa. A sociedade celta sempre reservou à mulher um lugar de honra, e nos melhores momentos irlandeses - épicos ou mitológicos - lá onde o paganismo se manteve mais forte, ela aparece como poetisa encarregada das profecias e mágicas. Era livre, dona de seu destino. Mas, com a romanização e a cristianização, foi transformada em bruxa, sendo-lhe imputados todos os aspectos inferiores da magia. Pertencia, porém, em um certo tempo, à uma sociedade de transição entre o matriarcado - onde a mulher era vista por sua função criadora, como um ser mágico, uma divindade - e o patriarcado - onde o homem, ciente de sua participação ativa no ato da fecundação, passa de inferior ou igual à superior à mulher. A romanização que atingiu a Gália e parte da Grã-Bretanha e a cristianização que dominou os territórios celtas, além de promoverem o desaparecimento do druidismo, também fizeram com que a função que a mulher exercia na classe religiosa se perdesse para a história. Os textos que falam sobre os celtas, vale ressaltar, só foram compilados após a cristianização, época em que a mulher já havia perdido quase todo o seu prestígio. Se foi o pagão celta que o cristianismo pretendeu salvar, podemos perceber o quanto a mulher perdeu com isso, e como a condição feminina se deteriorou em todos os planos. Como se não bastasse a anulação total da mulher no plano jurídico, pelo direito romano, o cristianismo, no plano social, impediu as mulheres de exercerem funções elevadas e, no plano cultural, transformou a antiga fada, a mãe divina e sábia, a sedutora, em figura perigosa.
Influência Celta
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