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Origem

Origem
Sociedade Matrifocal

"Falar em origem da Bruxaria é o mesmo que retornar ao inicio da humanidade, quando os seres humanos começaram a despertar a sua percepção para os mistérios da vida e da natureza.

Como afirmam a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta há mais de 2 milhões de anos. Mais de 3 quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para sobreviver, e nelas as mulheres possuíam um lugar central.

As mais antigas obras de arte que representam figuras humanas são de mulheres,mães. Datando de 35.000 a 10.000 anos antes da era cristã, e descobertas pôr toda a Europa e na África, essas estatuetas de "Vênus",chamadas assim pêlos arqueólogos, mostram a plenitude de formas da maternidade e a maturidade da natureza feminina.

Desde os tempos neolíticos, a prática da Bruxaria sempre girou em torno de rituais simbólicos que estimulam a imaginação e alteram a consciência. A primeira demonstração de arte devocional foram as Madonas Negras, encontradas em cavernas do período Neolítico, então as deusas da fertilidade foram os primeiros objetos de adoração dos povos primitivos. Assim, rituais de caça, experiências visionárias e cerimônias de cura sempre tiveram lugar no fértil contexto dos símbolos e metáforas de cada cultura. Vale a pena ressaltar que nos vários sítios paleolíticos associados a imagem da Deusa foram encontrados entre eles, Laussel, Angles-sur, Cogul, La Magdaleine e Malta, só para citar alguns.

No período neolítico, Catal Hüyük é um dos primeiros e mais claramente sítios matriarcais (cerca de 6.500 - 5.700 a.C) escavados. Os vários santuários decorados com figuras da deusa-mãe e seu filho-amante não fornecem dados que apontem para o sacrifício humano ou animal, não há altares, fossas para sangue e depósitos secretos para os ossos. Nem tampouco os templos da Deusa em Marta e na Sardenha, as galerias escavadas e os círculos de pedras dos construtores megalíticos ou os sítios de Creta, apresentam qualquer evidência de que seres humanos foram em qualquer época, ritualmente assassinados. Onde o sacrifício humano é visto claramente - por exemplo, nos túmulos sagrados da cidade suméria de Ur, onde cortejos inteiros acompanhavam o rei para a morte - ele está associado a cultura já vinculada ao patriarcado.

Nas cavernas também foram encontradas milhares de desenhos, dentre estes desenhos muitos mostram os homens caçando, e as sua presas já mortas. Com isto supomos que uma certa magia também ali já era aplicada, com a intenção de aprisionar nas paredes das cavernas a alma do animal a ser caçado, fazendo com isto que a caça fosse mais fácil.

Assim, inúmeras provas arqueológicas, históricas e antropológicas, estátuas de deusas, costumes funerários, pinturas rupestres de mulheres dando à luz, o recém nascido ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical, tudo isto nos faz crer que os nossos ancestrais entenderam a íntima conexão entre o Poder Feminino e o Poder da Terra. Mais a frente, outros povos que dependiam da caça para sobreviver, originaram o culto ao Deus dos Animais e da fertilidade, também conhecido como Deus Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias cósmicas. A mulher era a fonte da vida, os ciclos decorrentes da mulher era a fonte da vida. O grande mito do eterno retorno era o mito repetidamente interpretado no ciclo vital de todas as mulheres, em cada gravidez que produzia uma nova vida humana, e na misteriosa hemorragia que ocorria com cada lua e parava quando o ventre retinha seu sangue e ficava cada vez mais cheio, como a lua crescente. Ao identificarem tão estreitamente a mulher com a Terra, e a Terra com poderes divinos, os nossos ancestrais consideraram razoável supor que o poder divino que presidia à criação era feminino. Assim a Velha Religião, com sua forte perspectiva matrifocal ou matricentral como queiram, era uma religião de êxtase, pôr isso nos parece que as experiências de êxtase religioso eram a norma para as culturas pré-cristãs. E assim devem ter sido em religiões que se centravam na experiência da mulher.

Há cerca de 100 séculos antes de Cristo, os povos se organizavam em sociedades centradas na figura da mulher, cujas características principais eram a ausência de fortificações militares e de armas, - as que existiam eram pequenas e usadas somente para defesa - a ausência de guerras organizadas e de estrutura política burocrática. Nessas sociedades, as famílias eram extensas, semelhantes a clãs, governadas pôr mães e não havia escravos. Os laços de sangue, linhagem, parentesco e direito de propriedade eram transmitidos através das mães.

Nos grupos matricêntricos, as formas de associação entre homens e mulheres não incluíam nem a transmissão do poder nem da herança, por isso a liberdade em termos sexuais era maior. Por outro lado como já dissemos, não existia guerra, pois não havia pressão populacional pela conquista de novos territórios.

Refletindo a sociedade, os sistemas religiosos primitivos também eram centrados na figura de Deusas-Mãe que simbolizavam a fertilidade do solo, dos animais e dos seres humanos. As divindades femininas presidiam ainda a variadas atividades comuns àquelas sociedades. Como exemplo, podemos citar a deusa Asherah, "Senhora da Marcenaria e da Carpintaria" da antiga mitologia da região de Canaã. Essas sociedades centradas na mulher eram pacíficas, tolerantes, sustentadoras da vida, baseadas na confiança, nelas, o comportamento violento e destrutivo era desencorajado. Foram as mulheres dessas sociedades que inventaram a agricultura, a cestaria, a cerâmica, a olaria, a metalurgia, as técnicas de processamento, armazenagem e preservação de víveres, eram ainda as guardiãs do fogo, as ervanárias e farmacologistas e as curandeiras oficiais e primeiras médicas. A atividade masculina se restringia à caça, cuja base é a imitação e observação silenciosas.

Provavelmente, foram as mulheres que criaram a linguagem, propiciando assim terreno para o desenvolvimento e aprimoramento da inteligência. Nesses grupos, a mulher era considerada um ser sagrado, porque podia dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o princípio masculino e o feminino governavam o mundo juntos. Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade. A vida corria mansa e paradisíaca.

Os antropólogos também observaram que nesses tempos remotos, o papel masculino na concepção não era compreendido. Isso somente veio a acontecer em torno dos anos 5.000 a 3.000 antes da Era Cristã. Como a mulher não fica grávida em todo ato sexual, e só vem saber que está grávida depois de dias ou semanas, a conexão entre atividade sexual com machos e concepção não era óbvia. Por muitos séculos e séculos o homem, inocentemente, pensou que a mulher engravidasse dos deuses. Na verdade os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva "inveja do útero", dos homens é a antepassada da moderna "inveja do pênis" que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.

Ao contrário da mulher, que possuía o "poder biológico", o homem foi desenvolvendo o "poder cultural" à medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma espécie de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em condições hostis, e portanto não havia centralização, mas rodízio de lideranças, e as relações entre homens e mulheres eram mais fluidas do que nas futuras sociedades patriarcais.

Na sociedade de Creta as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio. Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia."

Origem da Bruxaria


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