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Roda do ano

Roda do ano
Roda do ano

Uma das primeiras observações de nossos ancestrais foi a passagem dos ciclos naturais, as mudanças das estações que, inegavelmente estavam ligadas à sobrevivência dos clãs. Com a observação das alterações naturais, dos ciclos lunares e posteriormente das épocas de plantio e colheita, surgiu na mente dos povos antigos a idéia de comemorar essas mudanças no sentido de preservá-las e garantir a sua continuidade.

Não podemos nos esquecer que tanto a Natureza quanto o Homem estão intimamente ligados e que para o paganismo não existe separação entre eles. Celebrar os ciclos naturais não era apenas um modo de mostrar gratidão pelas dádivas recebidas, mas um modo de, magicamente, fazer e assegurar com que o poder dos Deuses continuasse fluindo por sobre o mundo. Na nossa visão pagã, o rito assegura a continuação do processo natural, o que é totalmente diferente do pensamento religioso ocidental judaico-cristão, no qual o Homem é impotente diante das forças naturais e divinas.

Esses ritos de passagem e transição são marcados na Wicca pela Roda do Ano, os oitos festivais sazonais, divididos em Sabás Maiores e Sabás Menores. Os Sabás Maiores comemoram a passagem do ano celta e são mais recentes. Os Sabás Menores comemoram os solstícios e equinócios e remontam a épocas muito recuadas no tempo.

Todo o mito da Roda do Ano está focalizado nas figuras da Deusa e do deus, que representam a essência do ciclo da Natureza. A Deusa é a própria Terra, mãe de todas as dádivas naturais. O Deus é a

Manifestação do Sol que fecunda a Terra.

Quando falamos de Roda do Ano, nos vêm à mente uns perenes movimentos cíclicos de nascimento, crescimentos, morte e renascimento. Em outras palavras, crescimento e declínio, seguido de novo crescimento.

Para compreendermos as marés cíclicas do ano, comecemos a observar a Roda a partir da época de crescimento. Assim, os oitos sabás são: Yule, Imbolc, Ostara, Beltaine, Litha, Lammas, Mabon e Samhain.

Yule comemora a noite mais longa do ano e é um Sabá de renascimento.

Acontecem no Solstício de Inverno, o auge do inverno e conseqüentemente o início do período de crescimento. É em Yule que a Deusa dá nascimento ao Deus, o início do ciclo vital onde a terra começa a sair da longa noite de recolhimento invernal. A Deusa torna-se novamente uma criança junto com o Deus. Ela perde a característica da Mãe e assume a fragilidade tenra de tudo o que é novo.

Em Imbolc, o Sol finalmente se mostra e os primeiros raios de Sol mal começam a aquecer a terra. No hemisfério norte, o gelo começa a derreter, descobrindo a terra após um longo período de desolação.

Em seguida aproxima-se a primavera (Ostara) e o Sol torna-se mais forte, sendo visto por mais tempo no céu. Surgem as novas flores e a fertilidade da terra torna-se visível. A Deusa e o Deus são adolescentes, e seu impulso sexual trará a paixão, o amor e a continuação da natureza. Época do plantio e de cultivar os campos.

A Roda gira e quando o verão se aproxima (Beltaine), as sementes estão germinando. A Deusa e o Deus estão prontos para se unirem e seu casamento é consumado.

Em Litha, no auge do verão, tanto o Deus quanto a Deusa estão na plenitude da sua força. A Deusa guarda no seu ventre a criança divina, preparando-se para tornar-se mãe.

O ocaso se segue ao apogeu. O outono se aproxima e em Lammas as primeiras colheitas são realizadas. Os dias tornam-se mais curtos e com as colheitas os frutos do ventre da Deusa são distribuídos. O Deus torna-se aos poucos cada vez mais velho, e à medida que sua sabedoria cresce seu vigor decresce.

Em Mabon o outono chega por fim, prenúncio do inverno e das derradeiras colheitas. O calor do Sol diminui e os frutos da sobrevivência serão armazenados para a longa noite. À medida que a escuridão aumenta, a criança no ventre da Deusa é o próprio Deus, que ali cresce enquanto sua força diminui sobre o mundo. Esse é o grande mistério na Wicca, que assegura a manutenção do eterno ciclo de Vida, Morte e Renascimento.

Samhain abre as portas para o inverno e a Deusa, cada vez mais fraca, recolhe-se para dar à luz a Criança da Promessa. O Deus morre e as trevas caem por sobre o mundo. Assim, da mais profunda escuridão nascerá à nova luz que trará um novo recomeço.

Yule retorna e a Deusa dá à luz ao Deus, aquele que futuramente será seu consorte e que novamente engendrará a si próprio.

Este é o grande Mistério iniciático na Wicca.

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